Fusão e aquisição – um novo desafio para o sucesso empresarial
Conhecido como o “guru” em consultoria empresarial, Dagoberto Hajjar diz que fusão e aquisição de empresas pode determinar a sobrevivência no mercado
“Para sobreviver no mercado e ser capaz de competir é preciso fazer a aquisição ou a fusão com novas empresas, mesmo que sejam de segmentos de mercado diferentes”. A previsão é de Dagoberto Hajjar, conhecido como “guru” em consultoria empresarial. O adjetivo assumido por Hajjar não surgiu por graça ou mero acaso. As previsões certeiras de Dagoberto são o resultado da experiência acumulada na área. Passou pelo Citbank, banco ABN – AMRO, Microsoft e, hoje, diretor da Advance, realiza planejamento e ações para empresas do segmento tecnológico que buscam novo posicionamento no mercado.
Em palestra ao Parque Tecnológico São Leopoldo – Tecnosinos, Hajjar adverte que o cenário de produção e desenvolvimento tecnológico sofreu transformações ao longo dos últimos 30 anos, que consolidaram um ambiente limitado de crescimento. “De 1980 à 2000, o segmento viveu seus anos dourados, com a movimentação de cerca de US$ 18 bilhões. Nunca mais veremos crescimento como esse”, completa o guru.
Cenário nebuloso
A visão de Hajjar tem base na análise do mercado nos últimos dez anos, que mostra um ambiente em regressão. Os US$ 18 bilhões, movimentados pelas empresas do segmento de tecnologia até o final do século passado, decaíram para US$ 12 bilhões, a contar de 2001 para cá. E a previsão para a sobrevivência das empresas atuais não é animadora. De 2000 até 2012, estima-se que o número de empresas do segmento de TI diminua de 24 mil e 500 para 8 mil.
Dados da Associação Brasileira de Empresas de Software mostram que 99% das empresas do setor são compostas por pequenas e médias empresas, com faturamento de R$ 1 milhão ao ano. Segundo a Abes, para se tornarem competitivas essas empresas precisariam alcançar faturamento de R$ 40 milhões.
Nova tendência
Fomentar o desenvolvimento das PEMs é um dos desafios para ampliar o mercado de TI brasileiro, e o cenário empresarial mostra uma forte tendência – a fusão ou aquisição de empresas para serem mais competitivas. O movimento se intensificou após a crise financeira mundial, e se transformou em estratégia de sobrevivência no mercado. É o denominado crescimento inorgânico, onde empresas, mesmo que de diferentes segmentos, fazem a fusão de forma a blindar a região contra a ameaça de empresas de fora, além de fortificar a capacidade de competição nos mercados interno e externo.
Apesar da nova tendência sugerir uma boa solução competitiva, também anuncia dificuldades do mesmo porte a serem superadas. A maior delas, conforme Hajjar, é a organização da governança das empresas que realizam fusão ou aquisição. Entre os problemas encontrados está a adaptação e o compartilhamento dos modelos de gestão, finanças e dos valores cultivados por cada uma.
Crescimento requer planejamento
Uma pesquisa com quatro mil executivos, realizada pela Advance, empresa dirigida por Dagoberto Hajjar, mostra que menos de 50% das empresas possuem plano de negócios. Das 50% restantes, 25% admitem ter um plano, porém, não colocado em prática. O dado surpreende, uma vez que o segmento de TI está em ebulição. E para que o mercado se consolide, o guru adverte: “É fundamental analisar e planejar com cuidado o crescimento inorgânico. O que não se pode descartar é uma fusão. Seja para comprar, para se aliar ou para se vender”.


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