
Em contextos corporativos, o brain rot também contribui para uma crise na comunicação interna. Colaboradores dispersos, com atenção fragmentada e sobrecarregados por estímulos, tendem a se comunicar menos ou pior.
Neste artigo você vai aprender:
Eleita palavra do ano em 2024 pelo Dicionário Oxford, a expressão brain rot (traduzida livremente como “apodrecimento cerebral”) ganhou destaque ao sintetizar um mal-estar coletivo cada vez mais perceptível.
Embora estejamos em 2026, no início de um novo ano marcado por grandes eventos globais, como Copa do Mundo e eleições, o termo segue atual e ajuda a explicar um fenômeno que atravessa o cotidiano pessoal e, sobretudo, o ambiente de trabalho: o impacto do excesso de estímulos digitais na nossa capacidade de produzir, pensar e decidir.
Eventos de grande apelo emocional e midiático, como disputas esportivas e campanhas eleitorais, costumam intensificar a produção de conteúdos rápidos, chamativos e altamente disputados nas redes sociais.
O problema é que essa lógica não se limita a momentos pontuais e, hoje, se tornou permanente. Vivemos em um estado de hiperconectividade contínua, no qual notificações, vídeos curtos, mensagens instantâneas e múltiplas telas competem pela nossa atenção o tempo todo.
Plataformas digitais são desenhadas para capturar e manter a atenção do usuário pelo maior tempo possível. Conteúdos curtos, visuais, emocionalmente carregados e de consumo rápido ativam mecanismos de recompensa no cérebro, criando uma relação de dependência. Ceder à distração torna-se fácil não por falta de disciplina individual, mas porque estamos imersos em um ambiente que estimula, o tempo inteiro, a fragmentação da atenção.
Esse cenário foi tema do episódio “Exaustos e conectados: o impacto do brain rot”, do podcast Gente Conversa, da Globo. Segundo o programa, “notificações incessantes e estímulos digitais que, embora pareçam inofensivos, vão, aos poucos, comprometendo a nossa capacidade de concentração, criatividade e bem-estar geral”.
No ambiente corporativo, os efeitos desse excesso de estímulos deixam de ser abstratos e se traduzem em problemas bastante concretos. A dificuldade de manter o foco por períodos prolongados impacta diretamente a produtividade, aumenta o retrabalho e prejudica a qualidade das entregas. Soma-se a isso o crescimento de quadros de estresse, ansiedade e exaustão mental, muitas vezes acompanhados de sintomas físicos, como insônia e dores musculares.
Não por acaso, práticas antes valorizadas no mercado, como a cultura da “hiperdisponibilidade”, que pressupõe estar sempre online e acessível, e o hábito da multitarefa, passaram a ser questionadas. O que durante anos foi tratado como sinônimo de eficiência hoje é visto, por especialistas, como um fator de risco para a saúde mental e para o desempenho sustentável no trabalho.
De acordo com especialistas em saúde mental, os impactos do brain rot vão além da simples distração. Entre as principais consequências estão:
Esses efeitos não atingem apenas o indivíduo de forma isolada. Quando se tornam generalizados, acabam criando um ambiente organizacional fragilizado.
Em contextos corporativos, o brain rot também contribui para uma crise na comunicação interna. Colaboradores dispersos, com atenção fragmentada e sobrecarregados por estímulos, tendem a se comunicar menos ou pior.
Informações se perdem, alinhamentos falham e decisões tornam-se mais lentas ou equivocadas. Aos poucos, instala-se uma crise que não é apenas de produtividade, mas da própria dinâmica organizacional.
Diante desse cenário, cresce a necessidade de que as empresas mensurem o impacto real do excesso de estímulos digitais em suas rotinas. Sem dados, qualquer ação tende a ser genérica e pouco eficaz.
Com diagnóstico, é possível adotar medidas mais cirúrgicas: rever fluxos de comunicação, repensar expectativas de disponibilidade, promover capacitação sobre gestão da atenção e estimular práticas que protejam a saúde mental.
Mais do que uma tendência passageira, o debate sobre brain rot aponta para um desafio estrutural do nosso tempo. Preservar a atenção tornou-se uma habilidade estratégica tanto para indivíduos quanto para organizações que desejam manter produtividade, inovação e bem-estar no longo prazo.
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